Este Blog tem por objetivo informar sobre as principais complicações que afetam o paciente durante o seu tratamento oncológico e orientações de como prevenir e gerenciar tais condições.
domingo, 28 de junho de 2020
quarta-feira, 24 de junho de 2020
O Uso da LEDTERAPIA na Mucosite Oral: Avanços na Prevenção e Tratamento.
O
Uso da LEDTERAPIA na Mucosite Oral: Avanços na Prevenção e Tratamento.
De
acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se para o Brasil para cada ano do triênio 2020-2022, a ocorrência de 625 mil novos casos de câncer. Os principais
tratamentos para esta condição consistem em Cirurgia, Quimioterapia e Radioterapia,
que podem ser de forma combinada ou não.
O
tratamento antineoplásico promove uma série de efeitos colaterais, pois não
existe uma seletividade apenas pelas células neoplásicas. Esses efeitos
adversos diminuem muito a qualidade de vida dos pacientes.
Neste contexto, a Mucosite Oral (MO)
representa uma reação adversa nos protocolos de Radioterapia (RT) e
Quimioterapia (QT) na Oncologia, representando a maior complicação nos
pacientes que fazem RT em neoplasias na região da cabeça e pescoço, e em
associação com a QT pode ser um sério problema dose-limitante, tendo muitas
vezes que se realizar a interrupção do tratamento de base, em virtude do
surgimento e agravamento de tais lesões e consequentemente sobrevida do
paciente. A ruptura da integridade da mucosa resulta nesta condição, produto
dos efeitos citotóxicos da terapia oncológica.
A
MO representa um maior desafio na clínica oncológica e é caracterizada pela dor
e inflamação da mucosa, produzindo a formação de áreas inicialmente
eritematosas que podem evoluir para ulcerações. A sintomatologia consiste em
dor, disfagia, dificuldades para falar. Em virtude da perda da integridade da
mucosa os pacientes ficam vulneráveis às infecções secundárias, sepsis,
provocando alta morbimortalidade para esta população.
Após
o mapeamento dos genes de expressão da MO foram identificadas cinco fases
relacionada a sua patobiologia: Fase Inicial, Regulação e Geração da Mensagem,
Amplificação e Sinalização, Ulceração e Cicatrização. Na Fase Inicial a QT e RT promovem danos diretos ao DNA das células da
camada basal do epitélio. O ponto mais significativo dessa destruição tecidual
consiste na formação de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs). Embora a mucosa
pareça absolutamente normal nesse estágio, uma série de eventos se iniciam na
submucosa resultando finalmente em destruição da mucosa. Na Regulação e Geração da Mensagem a ruptura da fita do DNA e a peroxidação
lipídica ativam prontamente um número de fatores de transcrição, tais como o
Fator Nuclear Kappa Beta(NF-Kβ), que regula as citocinas pró-inflamatórias.
Estas provavelmente exercem um papel maior na Sinalização e Amplificação de lesões iniciais na mucosa. O Fator de
Necrose Tumoral (TNF-α), Interleucinas IL-Iβ, IL-6,IL-1, COX-2, exibem relações
com a destruição tecidual na QT e RT. A liberação de mediadores é responsável
pelo dano inicial, amplificando e prolongando o dano tecidual. A Ulceração significa o maior evento
associado com a MO. A prevenção da ulceração minimiza a dor, o risco de
infecções, evita o uso de nutrição parenteral e o tempo de hospitalização. A
perda da integridade da mucosa resulta em lesões muito dolorosas, as quais
predispõe a uma colonização bacteriana superficial. Os produtos da parede
celular dessas colônias bacterianas, como por exemplo os lipopolissacarídeos
podem adentrar na submucosa e ativarem a produção de células mononucleadas
inflamatórias, liberando citocinas pró-inflamatórias adicionais, promovendo a expressão
de genes pró-apoptóticos potencializando a destruição tecidual. A cicatrização ocorre como resultado de
um ativo processo biológico na qual a sinalização na Matriz Extracelular da
Submucosa (ECM) conduz a proliferação, migração e diferenciação na margem do
epitélio da ulceração.
Várias
terapêuticas são sugeridas na conduta da MO. Tanto no intuito da prevenção,
como de diminuição do curso desta inflamação, sendo fonte de investigações
profundas e algumas medidas pouco eficientes. Sugerem-se bochechos com
Gluconato de Clorexidina 0,12%, Solução Salina a 0,9%, Fator de Crescimento do
Fibroblasto (Palifermin®), Proteínas Recombinantes (rhEGF), Glutamina,
Pastilhas de Nistatina e Lidocaína, Triancinolona, Mucoadesivos de Licorice.
Os LEDs são dispositivos emissores de luz
monocromática e não-coerente, exibindo uma banda maior de comprimento de onda
(entre 10-30 nm), quando comparados a laseres . A diferença fundamental entre a
radiação emitida por um laser e um LED é a coerência do feixe, porém essas
diferenças ópticas não interferem no efeito terapêutico do mesmo, visto que
essa coerência é perdida nos primeiros estratos da pele. Assim, tanto a
laserterapia quanto a terapia com LED podem apresentar efeitos semelhantes
devido a absorção dos fótons, em comprimentos de onda específicos, através de
cromóforos teciduais
O efeito da fotobioestimulação através da luz
vermelha e infravermelha é muito importante tanto no aspecto preventivo quanto
terapêutico nos pacientes oncológicos, pois, a luz aumenta a síntese de ATP,
promove a liberação de óxido nítrico (um excelente vasodilatador periférico) e
possibilita a regeneração tecidual.
A fototerapia (LASER, LED) representam de
acordo com inúmeros autores, uma alternativa de primeira escolha para a prevenção
e tratamento da MO, evidenciado em vários estudos que estimula a produção de
colágeno, elastina, proteoglicanos, revascularização, reparo, efeito
anti-inflamatório pela inibição da síntese de COX-2 (responsável pela
severidade e duração das lesões), sendo uma técnica atraumática, de baixo custo
e atualmente bastante recomendada pela Equipe Oncológica.
Alguns casos ilustrando o uso do LED
Vermelho (Bios Therapy II®, BIOS TECNOLOGIA, registro ANVISA
80745670001), comprimento de onda 620-30 nm, 300 mW no
tratamento da Mucosite Oral graus III e IV respectivamente. Foi aplicado 6J / cm2 empregando
pontos no protocolo de aplicação extra-oral. Observam-se remissão das
ulcerações com uma semana após a instituição da Fototerapia.
Referências
Campos L, Cruz EP, Pereira FS, Arana-Chavez VE, Simões A. Comparative
Study Among Three Different Phototherapy Protocols to Treat Chemotherapy
Induced Oral Mucositis in Hamsters. J Biophotonics 2016; 9: 1236-1254.
De La Torre F, Alfaro C. Terapia de Laser de Baja
Potencia em Mucosistis Oral. Rev Estomatol 2016; 26: 47-55.
Freitas ACC, Campos L, Brandão, TBB, Cristófaro, M
et al. Chemotherapy-Induced Oral
Mucositis: Effect of LED and Laser Phototherapy Treatment Protocols.
Photomedicine and Laser Surgery 2014;32: 81-87.
Ghalayani P, Emami H, Pakravan F, Nasr Isfahani, M. Comparison of
Triamcinolone Acetonide Mucoadhesive Film With Licorice Mucoadhesive Film on
Radiotherapy-Induced Oral Mucositis: A Randomized Double-blinded Clinical
Trials. Asia Pac J Clin Oncol 2017; 13: 48-56.
Mahendran VJ, Stringer AM, Semple SJ, Song Y, Garg S. Advances in the
Use of Anti-inflamatory Agents to Manage Chemotherapy-induced Oral and
Gastrointestinal Mucositis. Curr Phar Des 2018.
Pandeshwar P, Roa MD, Mahesh D, Das R et al. Photobiomodulation in Oral Medicine: A Review. J
Investig Clin Dent 2016; 7: 114-26.
Sonis ST, Villa A. Phase II Investigational Oral Drugs for the Treatment
of Radio/ Chemotherapy Induced Oral Mucositis. Expert Opin Investig Drugs 2018;
27:147-154.
Soto M, Lalla RV, Gouveia RV, Zecchin VG et al. Pilot Study on the
Efficacy of Combined Intraoral and Extraoral Low-Level Laser Therapy for
Prevention of Oral Mucositis in Pediatric Patients Undergoing Hematopoietic
Stem Cell Transplantation. Photomed Laser Surg 2015; 33: 540-546.
Assinar:
Comentários (Atom)
-
O Uso da LEDTERAPIA na Mucosite Oral: Avanços na Prevenção e Tratamento. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), ...
